Sobre a Odisseia

Como adaptação do épico, achei bom. Achei que o nolan conseguiu entender bem quem é o personagem Ulisses, além de trazer um pouco das características dos seus protagonistas para ele. Diferentemente do que projetam geralmente, ele entende como o ardiloso e sofrido personagem que ele de fato é, quase um anti-herói da própria história. O twist do cavalo de tróia deixar de ser uma façanha militar para uma tragédia social também me agradou, trouxe um novo ângulo para a história que não me lembro ter sido discutido antes (pelo menos não o que eu já tinha visto).
Sobre as atuações
Me incomodaram como bons atores como Matt Damon e Anne Hathaway estavam tão abaixo do que podem entregar. Matt atua ele mesmo o filme inteiro, o que sinceramente dificulta a concentração na história. Anne coitada tem tanto botox que não consegue chorar. Tom Holland e John Bernthal parecem que não conseguem sair de homem aranha e punisher, o bom é que pelo menos do Tom eu não espero muito.
Quem se destaca é, Elliot Page e a Samantha Morton, que proporcionam as duas melhores cenas do filme. Talvez os momentos mais surreais no meio de tanto realismo desnecessário. Himesh Patel e John Leguizamo se destacam com coadjuvantes que dão a profundidade que algumas cenas precisam.
Sobre realismo
Me incomoda um pouco o discurso de não usar CGI em torno dos filmes do Nolan, primeiro, que ele usa sim CGI, só não tanto quanto outros diretores. E, segundo: às vezes é bom ter muito CGI na sua cena, do contrário você tem um Caríbdis que é só um redemoinho no mar, e não um monstro épico. O meu maior receio desse filme era que ele sofreria com o preciosismo do Nolan com efeitos práticos, e infelizmente eu achei que isso se concretizou em algumas cenas. As sereias são decepcionantes, algumas tempestades deixam a desejar, a queda da cidade de Tróia parece mais a destruição de um set de filmagem. Os efeitos práticos não são de todo ruim, e justamente esse é meu ponto: equilíbrio. As cenas do ciclope, de circe e do interior do cavalo de tróia combinam muito com os efeitos práticos.
Outro momento em que me pareceu que o método foi mais valorizado que o produto final foi o uso das câmeras IMAX em 100% do filme. Pra mim não tem sentido todo esse trabalho para a sua fotografia ser comum.
Me parece que, no geral, havia muito potencial que não foi destravado, e é isso que deixa um gostinho de quero mais na boca, porque os pontos bons são realmente bons. Toda a sequência de Ulisses se reencontrando com sua mulher vale a pena as quase três horas de espera. E você só deseja que mais partes do filme sejam tão boas quanto.
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